A Escola Superior Agrária, integrada no Instituto Politécnico de Viana
do Castelo e instalada no antigo Mosteiro de Refóios do Lima – ou Mosteiro de
Santa Maria de Refóios do Lima, em Ponte de Lima – constitui muito mais do que
um espaço de ensino e investigação. É um lugar onde o tempo parece dialogar
consigo próprio, unindo épocas distintas numa mesma narrativa de continuidade e
renovação.
Entre os seus muros seculares viveram, até 1834, os membros da Ordem
dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. A extinção das Ordens Religiosas em
Portugal marcou o fim de um ciclo histórico, mas não o desaparecimento da
memória que esses espaços encerram. Pelo contrário, a herança espiritual e
cultural permaneceu inscrita na pedra, nos claustros e na paisagem envolvente,
aguardando novas formas de expressão.
Hoje, a presença da Escola Superior Agrária confere a este lugar uma
nova vocação. Onde outrora se cultivava sobretudo a vida contemplativa,
cultiva-se agora também o conhecimento científico, sem que uma dimensão exclua
a outra. Há, pelo contrário, uma harmonia subtil entre ambas, como se o passado
religioso e o presente académico participassem de uma mesma procura de sentido.
Memória, espiritualidade, educação e ligação à natureza encontram aqui
um raro ponto de convergência. O homem, ao estudar os processos da vida,
reencontra-se igualmente com as interrogações fundamentais sobre a sua própria
existência. A terra que se observa, se analisa e se trabalha é também metáfora
da condição humana: nela germinam sementes, mas também ideias, valores e
esperanças.
Talvez por isso este lugar nos sugira uma reflexão mais ampla sobre o dinamismo que anima tanto a vida do espírito como os seres vivos e, em última instância, todas as forças do universo. Ciência e filosofia, matéria e espírito, longe de se oporem, revelam-se como perspetivas complementares de uma mesma realidade. Ambas procuram compreender o mistério do existir; ambas interrogam a ordem profunda das coisas.
Em Refóios do Lima, o passado não permanece encerrado na memória, nem o presente se limita à utilidade imediata. Entre a história e a inovação constrói-se uma ponte que aponta para o futuro, afirmando que o conhecimento, quando enraizado na tradição e aberto ao mundo, pode constituir uma das mais nobres formas de esperança.
( A Aurora do Lima, Ano 171, Número 21, quinta-feira, 18 de junho de 2026, p. 25)

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